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Igreja local

PRÓLOGO
O livro de Atos dos Apóstolos, contido na Bíblia, relata a história da Igreja,
cuja história está inacabada, uma vez que ela terá fim somente quando Jesus arrebatá-la.
Assim também é a história da Igreja do Evangelho Quadrangular de Paulínia. Sua história
somente terminará com a vinda do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo, ao qual damos
toda honra, todo louvor e toda glória. Sendo assim, torna-se necessário, daqui a alguns
anos, se não me for possível, que outro dê continuidade a este trabalho.
Ir. Luiz Carlos F. Costa.

FICHA TÉCNICA
Idealização, Narração
e Arte final: Luiz Carlos F. Costa.
Apoio: Pr. Carlos Henrique de Moraes
Editoração e Capa: Pr. Ramath Linhares
Apoio Didático: Prof. Alessandra A. A. Costa.
Revisão Final:
1a.Edição: Maria A. Lopes
(Prof. de língua portuguesa)

DEPOIMENTOS:
Ana do Carmo Pontes Lopes
Pr.Carlos H. de Moraes
Pr. Laércio B. Casemiro
Lucineide A. dos Santos
Miguel dos Santos Jr.
Mário Luciano da Silva
Norma Ferraz dos Santos
Nilce A. da Silva
Otília Pontes da Silva
História da Igreja do Evangelho Quadrangular
Edição Original
Setembro de 1996
Direitos reservados à
I.E.Q. de Paulínia
Sede: Av. Brasil, 645.
Paulínia-SP
Cep 13140-000
Reprodução e/ou alteração somente serão permitidas com a autorização do Pastor titular
da Igreja.

APRESENTAÇÃO
Devido à necessidade de conhecer a origem da história de nossa Igreja na
cidade de Paulínia e, não havendo nada registrado até então, decidi pesquisar e
preencher esta lacuna.
Os dados aqui encontrados são a expressão da verdade através de
depoimentos colhidos com os irmãos que são os fundadores e mantenedores desta obra.
Boa leitura!
Luiz Carlos F. Costa.

1977 - O Princípio
Cinema vira Templo do Deus Altíssimo.
Em Março Paulínia foi contemplada com a vinda da Igreja do Evangelho
Quadrangular, a qual se instalou na cidade, tendo como primeiro ministro o missionário
Victor Francisco Moraes, um homem simples, disposto, alegre, lutador e organizado.
Com alegria e propósito no coração, o Missionário Quadrangular,
incessantemente, circulava pela cidade, com um carro de som anunciando ao povo
paulinense uma grande concentração de fé, através da qual estariam sendo realizadas
grandes maravilhas. Para essa grande demonstração de fé, foi alugado provisoriamente o
prédio do antigo cinema, situado a Av. Getúlio Vargas, n° 128 onde foram realizados
cultos por aproximadamente um mês. Nestes primeiros cultos houve uma freqüência de
200 pessoas em média por culto.
Já em Abril, havendo conquistado a simpatia de muitos que freqüentavam suas
concentrações de fé, a Igreja conseguiu um local mais definitivo, situado à rua S. Bento,
n° 54. Era uma construção antiga, coberta com telhas de barro, sem forro, reboco rústico,
ficando a um nível de aproximadamente dois metros abaixo do nível da rua. Apesar de
todas as dificuldades, o Evangelho era pregado com determinação. Conforme depoimento
dos primeiros membros os resultados eram notórios: vidas eram salvas, curas aconteciam
e muitas bênçãos eram derramadas sobre os primeiros cristãos.
Já em Novembro, aconteceu o primeiro batismo.
Aproximadamente vinte pessoas desceram às águas com o firme propósito de servir ao
Senhor, dentre elas: Miguel dos Santos Júnior, Norma Ferraz dos Santos, Helena
Nascimento Granci, os quais permanecem fielmente até hoje na Igreja e são os que têm
ajudado a construí-la, e que agora contam sua história.
 

1978 - O Deslize
Com o vencimento do contrato em Março, e não podendo arcar com o novo
aluguel, a Igreja precisou mudar-se para um outro lugar. Embora pequeno, o Senhor
proveu-nos com um prédio comercial, de boa aparência, bem mais confortável e de
melhor localização do que o anterior.
Infelizmente, a igreja foi tremendamente abalada. Enganado pelo inimigo de
nossas almas e num momento de fraqueza, o pastor Victor cometeu um deslize. Devido a
este deslize, a igreja que se encontrava em fase inicial de crescimento padeceu
tremendamente e muitos deixaram de freqüentá-la. Por isso, ele foi desligado de sua
função pastoral, mudando-se para outra cidade.
Em seguida, o pastor Adão Estigarríbia de Moraes, homem muito esforçado, muito
comunicativo, espontâneo, alegre, responsável e bastante ordeiro, foi nomeado para dar
continuidade àquele trabalho de fé. Se a igreja já passava por dificuldades, agora estas
pareciam intransponíveis, semelhante à situação da Igreja de Filadélfia - “Eu sei as tuas
obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca
força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu Nome”. (Ap 3:8)


1979 - Por um fio
Um outro Março chegou. Novamente surgiam as preocupações com o aluguel do
prédio onde a igreja se instalava. Na necessidade de amenizar seus gastos com o
aluguel, a igreja precisou mudar-se para outro local. Como o Senhor honra a fé de Seu
povo, Ele proveu a igreja com um salão com preço mais acessível, de boa aparência,
embora fosse pequeno e afastado do centro comercial, situado à rua Santa Cruz, n° 171.
Quase um ano após o escândalo envolvendo o pastor Victor, com a imagem
desgastada, a igreja passava por grandes necessidades financeiras, pois poucos
membros, aproximadamente 15 dos 60 que havia, permaneceram por entender a
fraqueza humana e que, apesar de tudo, a obra era de Deus.


1980 - Volta à origem
Novamente, sem condições de renovar o contrato do aluguel, a igreja foi obrigada
em Março a procurar um local mais barato ainda. Desse modo, foi forçada a voltar para o
prédio da rua São Bento, onde havia nascido.
Entre Abril e Maio, por problemas financeiros o pastor Adão foi transferido para
Artur Nogueira, pela impossibilidade da igreja sustentá-lo. O trabalho ficou ameaçado de
fechar as portas.
Em Junho, o Rev.Luiz Carlos Pinto, um homem íntegro, firme, bom líder, com
muita visão no campo missionário, responsável pela igreja de Campinas, decidiu assumir
a igreja de Paulínia. Paulínia passou, assim, a ser uma das várias congregações (1)
pertencentes à Campinas e, como tal, deveria, dentre outras obrigações, participar da
Santa Ceia na Sede, como as demais congregações o faziam.
É curioso lembrar que, pela razão de ser uma congregação, alguns irmãos
campineiros pensavam ser Paulínia um bairro de Campinas. Para dirigi-la, o Rev. Luiz
designou cinco obreiros (Ir. Alcir, Ir. Otaviano F. dos Reis Neto, Ir. Pedro Tonon, Ir. Dorival
Martins Júnior, Ir. Adenir de Jesus Leone) que cursavam o Instituto Bíblico Quadrangular
daquela cidade.
Ansiosos por pregar a Palavra de Deus, estes homens, que se revezavam entre si,
iniciaram o trabalho de Deus, recebendo apenas uma ajuda de custo para as despesas de
transporte. Nesta época a igreja contava com apenas cerca de dez membros, os quais
não estavam, com certeza alicerçados no pastor e, sim, em Jesus Cristo. Esta foi uma
época trabalhosa e de poucos resultados. Os obreiros somente vinham à noite para dirigir
o culto, não dispondo de tempo integral para gastar com a obra de Deus, pois precisavam
trabalhar para o auto-sustento além de ainda serem estudantes do Instituto Bíblico.
Todavia, como se sabe, a Igreja não pode ter apenas um pregador, uma vez que
necessita de tempo integral para dedicar-se à sua igreja. Ele não pode, portanto, gastar
seu tempo com um trabalho secular.
Em Setembro, aproximadamente, o obreiro Otaviano F.dos Reis Neto assumiu
sozinho a direção da congregação, pois os demais foram designados para outras
congregações de Campinas, de acordo com suas necessidades.


1981 - Luz no Fim do Túnel
Em Fevereiro, por razão ignorada, dois novos obreiros substituíram o obreiro
Otaviano. Foram os irmãos Carlos Borges e Laércio B.Casemiro.
No mês de Março Carlos Borges foi designado para outra congregação, ficando
somente o obreiro Laércio, que por sua vez também não dispunha de tempo integral, pois
trabalhava como autônomo, para sua subsistência, entretanto dispunha mais de tempo e
tinha muita garra para o exercício da obra.
Em Junho, com a situação financeira mais estável, a igreja decidiu então se mudar
para um salão um pouco melhor, considerando que o atual era muito desconfortável por
ser uma construção antiga, precária e mal localizada. Além desse desconforto, o prédio
era subdividido com uma família não cristã a qual ligava os aparelhos de som e TV em
alto volume, atrapalhando assim os cultos.
Em julho a igreja instalou-se num novo prédio, preparado por Deus, à rua XV de
novembro, n° 225.
A igreja encheu-se de ânimo novamente. Empenhados com a obra, os irmãos decidiram,
através de ofício, pedir mais bancos para a prefeitura, que os concedeu. Após muitas
lutas, a igreja voltava a crescer espiritual e numericamente, conforme diz os Salmos 125:1
- “Os que confiam no Senhor são como o monte Sião, que não se abala, mas permanece
firme para sempre” - e 126:5, 6 - “Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão.
Quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus
feixes”.
Porém, o fato da Congregação de Paulínia ter que se deslocar mensalmente para
participar da Santa Ceia na igreja central de Campinas causava-lhe muitos transtornos.
Nem sempre os membros podiam arcar com gastos de transporte, por exemplo, o que
impossibilitava a participação de todas as pessoas. Dessa maneira, o obreiro, Ir.Laércio,
homem de Deus, sensível às dificuldades daquelas ovelhas e dedicado ao bem estar
delas, empenhou-se em negociar, junto ao Rev.Luiz, a possibilidade de ministrar-se a
Ceia em nossa própria congregação. Graças à perseverança deste cristão fiel, em
Dezembro, Paulínia conseguiu tal permissão, eliminando assim uma real sobrecarga para
os irmãos.


1983 - Pescaria no Aquário
O “Pastor” Laércio, empenhado no trabalho, realizava cultos nos sítios da
vizinhança entre os quais a fazenda “Meia Lua” e a “Estância Remanso”. Nesta última,
onde residia nossa irmã Otília P. Silva e família, distante uns vinte quilômetros de
Paulínia, o “Pastor“ Laércio realizava assiduamente cultos, toda semana. Este trabalho foi
realizado cerca de um ano, havendo uma freqüência de 30 pessoas, em média. Não há
registro de nenhuma pessoa que freqüentava aos cultos e que tenha se convertido ou
batizado naquela época. Porém, aqueles cultos ministrados pelos “Pastor” Laércio, com
tanta dedicação e empenho, significaram, sem dúvida, uma oportunidade de conhecer e
ouvir falar de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Temos conhecimento de que muitos
frutos vêm sendo colhidos, pouco a pouco, confirmando a palavra escrita pelo profeta
Isaías, que diz: “... assim será a palavra que sair da minha boca; não voltará para mim
vazia, mas fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a designei”. (Is 55:11).
Em meados deste ano houve uma evasão de vários membros que foram para
outra igreja, influenciados por “pescadores de aquário”, os quais diziam que nossa igreja
não possuía aquilo que chamavam de “doutrina”. Tal doutrina não era senão alguns
costumes terrenos que julgavam eles serem muito importantes, tais como uso de véu,
cabelo comprido, o não uso de calça comprida pelas mulheres, o que na verdade
sabemos que não possuem valor espiritual algum, conforme as palavras do apóstolo
Paulo, em Cl. 2:14, 17, 20-23; 3:1 - “Tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra
nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente,
encravando-o na cruz, ...porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir;
porém o Corpo é de Cristo. ...Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por
que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitai a ordenanças: não manuseies isto, não
proves aquilo, não toques aquilo outro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?
Pois que todas estas coisas, com o uso se destroem. Tais coisas, com efeito, tem
aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e rigor ascético;
todavia, não têm valor algum contra a sensualidade. Portanto, se fostes ressuscitados
juntamente com Cristo, buscai as cousas lá do alto...”
Porém, a Igreja do Evangelho Quadrangular possui um estatuto inteiramente baseado na
Bíblia, destacando liberdade às coisas secundárias e fidelidade às primárias. Vale
registrar que a maioria dos que foram encontram-se hoje longe dos caminhos do Senhor.


1984 - A Emancipação
Em Maio, por razões desconhecidas, as congregações de Campinas receberam
sua independência e, com isto, Paulínia, como tal se emancipa.
O obreiro Laércio, embora com muita competência para pastorear uma igreja (2),
não pôde assumir a atual Igreja do Evangelho Quadrangular de Paulínia por questões
administrativas, já que a decisão cabia ao superintendente regional, que achou por bem
realizar a substituição. Apesar de ser apenas obreiro, seu ministério pastoral era
reconhecido por todos, alcançando junto aos membros grande afeição e carinho, gerando
com isto bastante tristeza e saudade na despedida. Quando este irmão assumiu a igreja
(em março de 1981), ela contava com aproximadamente 10 membros. Já na sua saída,
graças a Deus e ao trabalho dedicado deste fiel ministro, contava com mais ou menos
cinqüenta membros.
Apreensiva, a igreja recebeu o Pr. Otaviano, pois já conhecia o seu temperamento
explosivo (quase o oposto ao do obreiro anterior), embora fosse extremamente
determinado em seus planos. Fez-se necessário então a eleição de um Conselho Diretor
Local (C.D.L), o qual seria o 1° C.D.L de Paulínia, pois, enquanto congregação, não o
possuía.
Quando foi fundada era independente, mas também não possuía C.D.L, apenas
um tesoureiro, o Ir.Miguel dos Santos Júnior. Este primeiro C.D.L foi indicado pelo obreiro
Laércio, considerando a experiência deste com a igreja.
A partir de 23 de Maio a Igreja tornou-se oficialmente independente, assumindo
como pastor titular o Pr. Otaviano F. dos Reis Neto, juntamente com o Conselho Diretor
Local, assim composto: Presidente: Pastor Titular; Vice: Ir.Mário Luciano da Silva;
Tesoureiro: Luiz Carlos F.Costa; Secretária: Fátima A. dos Reis; Diretor do diaconato:
Miguel dos Santos Júnior.
O Pr.Otaviano tinha como objetivo conseguir um terreno para a construção de uma
sede própria para a Igreja. Com sua determinação, em apenas sete dias após sua posse,
no dia 30 de Maio, deu entrada, na prefeitura, com um pedido de doação de uma área
para construção do templo.
Em Setembro lançou uma campanha para arrecadar fundos para a compra de um terreno,
caso não se conseguisse a doação. Sendo efetivada a doação, o dinheiro seria usado
para a construção do templo. Assim, vários irmãos se dispuseram a pagar certa quantia a
cada mês.


1985 - A Grande Conquista
Em Março, dia 16, aconteceu a realização do primeiro casamento, unindo o casal
João Atílio Marchi e Clarice A. Malingre. Abriu-se o primeiro ponto de pregação (3) da
cidade na casa do Ir.Caetano Pereira de França, à Rua Bahia, n° 140 na vila José Paulino
Nogueira. Posteriormente, este ponto foi transferido para o Parque Escola José Paulino
Nogueira, situado logo em frente.
Quase um ano depois da entrada do pedido de doação, durante os meses de abril
e maio, com sua determinação, o Pr.Otaviano visitou todos os vereadores, um a um,
expondo a necessidade da igreja possuir uma sede própria.
Em Junho, no dia 03, para a alegria de todos, saiu à publicação no Diário Oficial
da Lei 930, autorizando a doação de uma área de 1.097 m2 à Av. Brasil, n° 645 - Vila
Bressani, em favor da Igreja do Evangelho Quadrangular, na administração do então
prefeito José Pavan, já falecido.
Apesar da conquista do terreno, mais uma vez a Igreja se depararia com o
“fantasma” do aluguel. Em Julho, novamente venceria o contrato.
A personalidade rígida do Pr.Otaviano afetou a igreja de tal modo que, daqueles
cinqüenta membros, aproximadamente, conquistados pelo Ir.Laércio ficou reduzida à
cerca de dez membros (mais ou menos 15, contando os filhos). Com o número reduzido
de membros a igreja não conseguiu arcar com o reajuste do novo aluguel.
Em Agosto foi obrigada a mudar-se para a Rua França, 221 onde havia um salão
bem arrumado e grande, com uma casa nos fundos e preço compatível com a realidade
da igreja.
Apesar da nova instalação da igreja possuir uma casa nos fundos em que poderia
perfeitamente residir o pastor, juntamente com a sua família, o Pr.Otaviano não aceitava a
idéia de morar nos fundos de uma igreja. Por sua vez, a igreja não tinha como arcar com
dois aluguéis. Diante dessa situação e também do relacionamento conflituoso entre o
pastor, devido ao seu temperamento, e a igreja, o Pr.Otaviano se viu obrigado a pedir
demissão ao superintendente regional Luiz Carlos pinto, indo trabalhar em um serviço
secular.
À procura de um homem consagrado a Deus e disposto a reerguer aquela difícil
obra, o Rev. Luiz sente a direção de Deus de enviar o Pr.Carlos Henrique de Moraes, que
pastoreava a Igreja da cidade de Monte Mor. Chamando-o, disse-lhe: “Vou enviá-lo para a
cidade de Paulínia!”. A princípio, o Pr.Carlos criou certa resistência, afinal de contas o
trabalho de Monte Mor o fizera sofrer muito, e agora estava crescendo nas bênçãos de
Deus. Com convicção e influência do Senhor, o Rev. Luiz desafiou-o a fazer prova de
Deus. Aceito o desafio, sua mente foi impregnada com a experiência de Moisés - “Então
disse Moisés a Deus: Quem sou eu para ir a Faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?
Deus lhe respondeu: Eu serei contigo; e este será o sinal de que Eu te enviei: depois de
haver tirado o povo do Egito, servireis a Deus neste monte”. Ex. 3:11, 12.
Em Setembro, no dia 8, o Pastor Carlos Henrique de Moraes assumiu a igreja de
Paulínia, juntamente com sua esposa Suzana Gomes de Moraes e seus três filhos
(Débora - 5 anos; Daniel - 3 anos e Tatiane - 7 meses). A família foi morar inicialmente na
casa existente no fundo do salão onde funcionava a Igreja.
Já no dia posterior à sua posse, o Pr.Carlos reuniu o Conselho Diretor Local para
tratar de diversos assuntos, inclusive do lançamento da Pedra Fundamental (4). O desejo
de ver a obra de Deus crescer era grande, e por isso não podia esperar.
Em Outubro, no dia 27, o “lançamento” aconteceu.
Neste dia realizou-se também uma festa beneficente, que visava arrecadar fundos para o
início da construção. Juntando o valor arrecadado desta campanha ao da anterior,
realizada pelo Pr.Otaviano deu-se início aos preparativos da construção, ou seja, limpeza
do terreno, ligação de água, ligação de luz, andamento no projeto da planta, etc.


1986 - Tempo de Vitória
Com a planta pronta e paga, começou-se então em Janeiro mais uma etapa da
grande jornada: A construção do Templo. Daquelas quinze pessoas que havia, no ato da
posse do Pr. Carlos (setembro de 85), apenas quatro meses depois, a igreja contava com
um número de membros três vezes maior. Somente na Assembléia Geral de 7 de
dezembro de 85, registrou-se a presença de 31 membros. Lembramos que este não
representava a porcentagem total dos membros, considerando que muitos não puderam
estar presentes no dia. O aumento considerável deveu-se, certamente, ao temperamento
amável e cordato do Pr. Carlos. Muitos daqueles que desgostaram da postura do pastor
anterior e que foram embora, agora voltavam.
Logo de início o Pr. Carlos nos deu um grande susto, ansioso por concluir a obra,
mas sem experiência alguma, procurava ajudar na construção. Foi então quando ao subir
em um andaime segurou em um tijolo da parede ainda inacabada e este se soltou,
provocando sua queda e causando uma lesão muito séria em seu pulso, os médicos
diziam que jamais voltaria ao normal. Esta sentença, porém não foi aceita e com
fisioterapia e muita oração, tudo voltou ao normal.
Com muito trabalho e dedicação de todos, em agosto, as paredes já estavam
erguidas e as portas colocadas. Mesmo sem cobertura e com o chão sem concretar, foi
necessária a mudança precoce para o Templo, ainda em construção. O proprietário do
salão onde se situava a igreja “pressionava fortemente” pela desocupação, com a
alegação da venda do prédio.
No primeiro dia de setembro, o salão foi desocupado e os bens pertencentes à
Igreja esparramados: os armários foram levados para a casa do Ir. Luiz Carlos F. Costa;
os aparelhos de som para a casa do Ir.Miguel dos Santos Jr., que morava próximo ao
templo; os bancos enviados para a construção, onde ficavam empilhados e cobertos com
uma proteção. Na hora dos cultos, o Ir. Miguel com toda paciência transportava os
aparelhos de som e ligava-os na instalação elétrica improvisada e, juntamente com os
outros diáconos, organizava os bancos. Em dias de chuva o culto era cancelado. Ao
término dos cultos os bancos eram novamente empilhados e cobertos, e os aparelhos de
som transportados novamente para a casa do Ir.Miguel.
Mesmo com toda a precariedade, com a ajuda e participação dos irmãos, o
problema da realização dos cultos estava resolvido. Todavia, um outro dilema estava
diante da igreja: onde instalar o pastor e sua família, já que moravam no fundo do salão,
que acabara de ser desocupado? A arrecadação não era suficiente para custear o
aluguel, sustentar o pastor e continuar a construção. Foi então marcada uma Assembléia
Extraordinária para decidir os rumos a tomar.
O medo de ficar sem pastor estava de volta, caso uma solução para a moradia não
fosse encontrada. Enquanto isso, o Pr. Carlos e família continuavam residindo no mesmo
local, pois o proprietário abrira uma exceção, permitindo que ficasse ainda por um mês
(sem cobrar o aluguel), até que se conseguisse outro local.
A data escolhida para a Assembléia foi o dia 06 de Setembro. Porém, na tarde
deste mesmo dia, o Pr. Carlos, envolvido na construção, mas com o pensamento na
assembléia da noite, preocupado com o que aconteceria, inesperadamente, caiu do topo
da escada, quebrando o pulso e tendo uma fratura exposta.
Uma nova data foi marcada, desta vez para o dia 12 próximo. Nesta Assembléia a
Ir. Norma Ferraz dos Santos sugeriu a confecção de um carnê para que os membros
contribuíssem com um valor mensal, para o pagamento do aluguel de uma casa. A idéia
foi aprovada, pois a igreja não queria ficar novamente sem pastor, e especialmente
porque todos haviam gostado do jeito de ser do Pr. Carlos. Assim foi feito, por algum
tempo, até o aumento da arrecadação.
No final de Outubro, o templo já estava coberto, graças a Deus e ao trabalho
exaustivo de alguns irmãos. Mesmo com o chão ainda em terra, as paredes sem reboco e
a instalação elétrica provisória, aconteceu o primeiro casamento em sede própria. Uniramse
pelos laços do matrimônio os irmãos Nilton Pereira da Silva e Ivone A. de Oliveira.
Mesmo com o templo inacabado, eles não deixaram de usá-lo, pois sabiam que ali
receberiam a bênção de Deus. Semelhante à festa beneficente, realizada no lançamento
da Pedra Fundamental, outras foram programadas (festa do sorvete, do cachorro-quente,
etc.) com o objetivo de arrecadar fundos para dar continuidade à construção.


1987 - Sangue Novo
Durante o primeiro semestre, o trabalho estava muito vagaroso, quase parando.
Também não era para menos. Vivemos um ano de trabalho duro, em que muitos irmãos
dedicavam suas horas de folga, do trabalho secular, totalmente na Obra do Senhor.
Assim, todos estavam esgotados devido à pressa existente.
Em Julho, vendo a necessidade e dedicação de todos, o Senhor traz para
Paulínia, vindos de Barão Geraldo/Campinas, quatro famílias que se tornaram membros
desta igreja. Com este “sangue novo”, e também pelo fato de um dos membros novos
trabalhar com construções, o trabalho revigorava em apenas dois meses e meio.
Resultado: todo o trabalho de acabamento foi realizado.
Em Setembro, no dia 20, com a presença dos pastores da região e do coral da
sede de Sumaré realizou-se a tão esperada inauguração do Templo.
O C.D.L nesta ocasião estava assim composto: Presidente: Pr.Carlos Henrique de
Moraes; Vice: Mário Luciano da Silva; Secretário: Nelson Rigazzo; Tesoureiro: Luiz Carlos
F. Costa; Diretor do diaconato: Miguel dos Santos Jr.; Coordenador do diaconato: José
Carlos Pereira.
Logo em seguida à inauguração iniciaram-se esforços no sentido da construção da
casa pastoral; desejo este que todos já possuíam há algum tempo, considerando também
o alto investimento mensal com aluguel.


1988 - Prenúncio de Liberdade
No primeiro semestre foi preparado o local onde seria construída a casa pastoral,
e foi dado andamento ao projeto da planta. O Ir. José Carlos Pereira, então, diretor do
diaconato, concedeu os funcionários de sua firma de construção para levantar as paredes
até a altura do andaime, ficando o alicerce por conta dos irmãos.
Em Setembro, a construção da casa pastoral iniciou-se finalmente.
1989 - Meio Caminho
Em Fevereiro, no dia 07 veio a falecer João Colodro Lisboa, o qual, embora não
fosse membro da igreja, havia aceitado a Jesus como seu Salvador. Este foi o primeiro
ofício fúnebre realizado pela igreja.
Em Abril, a Escola Bíblica Dominical começou a ser realizada na Escola do Núcleo
Habitacional José Paulino Nogueira, devido à falta de espaço. A superintendente,
Ir.Joaquina Margarida de Moraes conseguiu a permissão para usar as dependências da
referida escola.
Em Setembro, um ano após seu início, a casa pastoral já estava levantada e
coberta.
Em Dezembro um fato histórico, sem dúvida, aconteceu e por isso não poderia
deixar de ser registrado aqui. O Ir. Luiz Carlos Fernandes Costa que, desde a
independência da igreja, havia assumido o cargo de tesoureiro por cinco anos e meio,
resolveu deixar o cargo. O motivo principal deste pedido de demissão deveu-se ao fato
dele estar muito estafado. De fato, duas construções consecutivas exigiu do irmão muito
trabalho, dedicação e muita “ginástica” administrativa, pois, como sempre, o dinheiro era
pouco. Durante os cultos, principalmente no horário das ofertas, ele ficava na tesouraria
orando a Deus para mover o coração dos irmãos a contribuírem, para que a oferta fosse
suficiente para cobrir os compromissos assumidos. Além disto, trabalhar na construção da
igreja fazendo as armações, a estrutura da cobertura, a instalação elétrica juntamente
com os irmãos; sem contar também o seu trabalho secular, o que se tornou realmente
bastante pesado.


1990 - Extinção do Fantasma
Em Fevereiro, o Pr.Carlos novamente precisou mudar-se, pois o dono da casa
onde estava precisaria usá-la. Foi então que Deus usou verdadeiramente dois “anjos” (os
irmãos Pytágoras F. Neves e sua esposa Lucinda O.F. Neves) para darem uma saída
abençoada. Este casal ofereceu uma casa em sua chácara, no bairro Sta Terezinha para
ser usada pelo pastor e sua família, em troca de um aluguel simbólico, que logo em
seguida o mesmo casal decidiu ofertá-lo para a Obra do Senhor. Esta atitude foi, sem
dúvida, mui louvável e útil para o término da casa pastoral, já que estava coberta e
necessitando apenas da parte hidráulica e dos devidos acabamentos.
Em Setembro a casa estava pronta para receber o pastor e sua família.
Em Outubro o pastor se viu livre das mudanças, que sem dúvida deterioravam
seus móveis e utensílios, mudando-se para a devida casa pastoral e o extermínio do
“fantasma“ do aluguel.
Diversas crianças, sem dúvida haviam sido apresentadas ao Senhor, como é
costume da I.E.Q, contudo, não há registros específicos de tais consagrações pela não
existência de um Livro de Registros. O primeiro registro de apresentação existente é do
menino Marcelo F. Lopes, filho dos irmãos Vicente e Dorinha F.Lopes, no dia 01 de
Novembro.
A esta altura, o templo já estava pequeno para suportar a quantidade de pessoas.
Começa-se, então, a pensar na ampliação da igreja e nos meios para realizá-la.
O Pr.Carlos conversa com o engenheiro Odair Broconelli, o qual sugeriu um
aproveitamento total do terreno, considerando sua ótima localização. Portanto, foi
projetada uma Catedral com capacidade para 850 pessoas sentadas, além de um prédio
de 3 andares, com salas para secretaria, tesouraria, e Escola Bíblica Dominical. Este
projeto foi levado para o C.D.L, sendo aprovado pelo mesmo.No culto da passagem do
ano, em 31 de Dezembro, o engenheiro Odair fez a apresentação do projeto à igreja.
Para amenizar o problema da superlotação, decidiu-se construir um mezanino,
enquanto não se concretiza a finalização do projeto.


1991 - A Gravidez
Entre Janeiro e Fevereiro foi emprestada uma máquina de fazer blocos de
cimento, com a qual confeccionaram-se 6.500 blocos. Trabalho este realizado aos
sábados e em noites sem culto público da igreja. Os blocos serviriam para o fechamento
das laterais da galeria. Muitos membros não acreditaram neste projeto por ser muito
“audacioso”. Estimava-se um tempo médio de 15 anos para a conclusão do plano. No
entanto, o pastor dizia estar “grávido” da Catedral.
Em Abril, no dia 6, foi realizado o lançamento da Pedra Fundamental da Catedral.
Conversando com o prefeito José Pavan Jr., o Pr.Carlos consegue a doação das estacas
para a galeria. Devido à insuficiência de recursos para manter o engenheiro Odair, que
cobraria aproximadamente 10(dez) salários mínimos mensais, a igreja foi obrigada a
dispensá-lo.
Em Junho a igreja recebeu mais uma grande bênção de Deus. O Ir.José Carlos
Pereira procurou um engenheiro, amigo pessoal seu, Nicolau Tambascia Neto, e
conseguiu com que ele se responsabilizasse pela obra, sem remuneração nenhuma.É
interessante notar como Deus opera de maneiras notáveis. Vemos o texto bíblico onde
Jesus afirma que se os Seus não realizassem o plano de Deus, as pedras o fariam (Lc.
19:40). Enquanto o engenheiro anterior, sendo cristão, cobraria um valor mensal
incompatível com as possibilidades da igreja, o engenheiro Nicolau, não sendo cristão,
não cobraria nada. De fato, Deus pode transformar pedras em filhos de Abraão (Mt. 3:9).


1992 - Em Baixo da Terra
Em Julho são fincadas as estacas da galeria, as quais foram doadas pela
prefeitura.
Em Agosto deu-se prosseguimento à fundação. Quase todo o trabalho da galeria
foi pago. Raras vezes foram convocados mutirões.
Em Setembro foram concretados os baldrames, e o trabalho não parou. Pouco a
pouco foi tomando forma aquele projeto.


1993 - Cadeia da Prece
Em Maio, são erguidas as paredes dos banheiros.
Em Outubro, dia 8, iniciou-se um trabalho inédito em Paulínia: a pregação da
Palavra de Deus através do rádio, na emissora da cidade “Rádio Planalto”. O programa
recebe o nome de “Cadeia da Prece“.


1994 - Mais Uma Etapa
Em Março foi feita a montagem da “caixaria” das vigas de sustentação da laje da
galeria. No dia 28 de Maio foi feita a concretagem da laje. Nesta ocasião, convocou-se um
mutirão em que muitos irmãos ajudaram a espalhar o concreto já usinado, que foi
transportado para cima através de uma bomba para concreto.
Em Dezembro já tinham sido erguidas as paredes e as colunas da parte superior.
Por falta de dinheiro foi paralisada a obra neste ponto.


1995 - A Reta Final
Em Agosto, após sete meses de paralisação, foi retomado o trabalho com a
colocação da cobertura e dos “vitraux”. O objetivo do pastor era passar a igreja para a
galeria até o final do ano. Para isso foi fechada a parte frontal, com uma parede
provisória.
A intenção da mudança deveu-se ao fato de que para continuar a construção da
Catedral, seria necessário derrubar o templo, já que uma das paredes passaria sobre ele.
Em Setembro foi rebocada a parte interna da galeria. Neste mês, houve,
especialmente, duas comemorações: a Igreja completou sua “maioridade”, com seus
dezoito anos de existência na cidade, junto com os dez anos de ministério do Pr. Carlos
em Paulínia.
Em Outubro foi feita a instalação elétrica no teto da parte superior, para possibilitar
a colocação do forro que foi comprado com o dinheiro de uma doação. Foram colocados
também os vidros nos “vitraux”. Comemorou-se no dia 08, o 20° aniversário do programa
Cadeia da Prece, na rádio Planalto.
Idealizada pela irmã Vera Negrão Canavês, realizou-se a “Campanha da Pizza”,
sendo vendidas 500 pizzas. O rendimento foi ótimo porque, além da venda das pizzas, o
material para fazê-las foi quase todo doado pelos irmãos. O objetivo principal desta
campanha foi a compra de cadeiras para a galeria. Além de ter sido efetuado a compra
das cadeiras, o restante ainda deu para se comprar um fogão industrial.
Em Novembro foi colocado o forro, que é acústico e isolante térmico. Também
teve início o reboco da parte externa da galeria, e colocado um portão em cada escada de
acesso à mesma.
O Mês de Dezembro chegou e o desejo do pastor de passar para a galeria não
pôde ser realizado. Como sempre, o motivo deveu-se à falta de dinheiro. Embora quase já
pronta, com a primeira demão de tinta, a obra teria que paralisar.
Referências
(01) Congregação - Quando um ponto de pregação cresce, não havendo condições de
permanecer em residências, ou local muito pequeno. Possui condições suficientes para
custear aluguel, água, luz e um obreiro para dirigi-la. Não possui C.D.L. Toda arrecadação
costuma ser enviada para a Sede, que se encarrega dos pagamentos. No caso de
arrecadação insuficiente o C.D.L responsável pelo trabalho analisará o possível sustento,
ou fechamento do mesmo. Os membros da congregação são levados mensalmente à
Sede para participar da Ceia do Senhor.
(02) Igreja - Pré-requisitos para se tornar independente: * Ter, no mínimo 50 membros;
* Arrecadação suficiente para todas as despesas locais; * Possuir um Conselho Diretor
Local (C.D.L).
(03) Ponto de Pregação - Local onde se realizam cultos regulares, com um dirigente,
geralmente obreiros leigos, designados pelo Conselho Diretor Local da Igreja ao qual está
filiado. Funciona, normalmente, em residências de membros, ou simpatizantes da Igreja,
podendo eventualmente organizar-se em pequenos salões ou escolas, de baixo ou
nenhum custo para os membros que ali congregam.
(04) Pedra Fundamental - Nome dado ao marco inicial de uma construção; geralmente
realiza-se uma cerimônia. Em uma caixa de alvenaria, previamente construída abaixo do
piso, coloca-se uma Bíblia, um estatuto e uma lista com nomes de pessoas que
eventualmente contribuíram em campanhas realizadas.


AGRADECIMENTOS
Agradeço de coração às pessoas que colaboraram com a construção desta
história. Agradeço-lhes pela dedicação e paciência de “voltarem no tempo“, buscando
datas e lembranças, sem as quais esta obra não teria chegado à suas mãos.
Meu sincero agradecimento também ao Pr. Laércio Batista Casemiro, pela
atenção e ao Pr. Carlos Henrique de Moares, pelas horas que gastamos buscando datas
e fatos. Ainda agradeço à irmã Maria Aparecida Lopes pelos longos meses de trabalho na
estruturação e correção deste texto, sem a qual esta obra estaria incompleta.